▸ Agenda Cultural ▸ Artigos ▸ Carnaval ▸ Celebridades ▸ Cotidiano ▸ Cultura ▸ Destaques ▸ Economia ▸ Educação ▸ Entretenimento ▸ Esporte ▸ Eventos Sociais ▸ Festival Folclórico de Parintins ▸ Internacional ▸ Justiça ▸ Lazer ▸ Meio Ambiente ▸ Nutrição ▸ Polícia ▸ Política ▸ Religião ▸ Saúde ▸ Tecnologia ▸ TRANSPORTES ▸ Turismo

Notícias
Compartilhar Imprimir

Artigos | AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO | 13/09/2018 | 15:20 | Por: Portal Flagrante

O bombeiro nas urnas

 Agiganta-se, a cada dia, o abismo cultural a que está submetida uma grande parte da população brasileira. Com o lamentável incêndio ocorrido há poucos dias no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, essa cratera ganha características mais concretas do que nunca. Como se fosse fruto de algo planejado, esse vergonhoso fato, esse crasso exemplo de descaso com a história pudesse vir à tona exatamente num momento quando a cultura, o conhecimento, o discernimento e a interpretação do tempo e do espaço em que vivemos passam a ser primordiais para decidirmos o futuro do Brasil, as eleições gerais que acontecem no próximo mês.

 
Mais uma vez, infelizmente, damos prova, no presente, de que não sabemos cuidar da preservação e do investimento em nosso rico passado. Logo, que futuro podemos esperar? Desconhecendo os fatos que construíram e constroem este país, o eleitor mais uma vez vira presa fácil, mera massa de manobra, como se fosse uma mangueira sem água na ebulição de um incêndio.
 
Quantas vidas mais serão necessárias para frear essa implacável onda de descaso e de irresponsabilidade com a coisa pública? Quanto mais de nossa história, de nossas fontes de pesquisas e conhecimentos serão destruídas? Enquanto não obtemos uma resposta, a irresponsabilidade privada vai surfando nessa mesma onda. Em janeiro de 2013, na cidade de Santa Maria (RS), o incêndio na Boate Kiss deixou 242 mortos e feriu mais de 600 pessoas. Cinco anos depois, ao custo de muita luta por partes dos parentes e amigos das vítimas, apenas dois dos cinco acusados estão cumprindo pena. Criada com o objetivo de evitar tragédias como essa, a Lei 13.425/2017, conhecida como Lei Kiss, foi publicada somente quatro anos depois e, ainda por cima, com 12 vetos presidenciais.
 
A história de nosso País é recheada de tragédias que poderiam ser evitadas e, certamente, centenas de vidas preservadas. Em fevereiro de 1974, 191 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridos no incêndio do Edifício Joelma, localizado na Praça da Bandeira, na capital paulista. A perícia apontou que o sinistro teve início num aparelho condicionador de ar, no 12º andar. Antes desse episódio, em dezembro de 1961, depois que tentou entrar sem pagar ingresso, no Gran Circo Norte-americano, Adilson Marcelino Alves, que fora contratado para ajudar a montar a lona, foi barrado. Dois dias depois, acompanhado de dois comparsas atearam fogo no circo provocando a morte de 503 pessoas e mais de 800 feridos. Quase um ano depois os três foram condenados. Adilson confessou o crime e pegou 16 anos de prisão. Sete anos depois fugiu da penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Niterói. Foi encontrado morto no alto do Morro Boa Vista e acredita-se que foi vítima de vingança por parte dos parentes de vítimas do incêndio do circo.
 
Nesse calor de tragédias, muitas delas anunciadas, acaba-se constatando que é abissal a distância entre o voto de qualidade, quando o Estado toma as rédeas da administração com zelo e responsabilidade, constituindo física e financeiramente um aparato de prevenção e combate aos sinistros em prédios públicos e privados e o voto sem compromisso, quando o eleitor lava as mãos e não assume seu papel de protagonista na administração dos recursos públicos.
 
O calor democrático da campanha se eleva, logo crescem as chamas. Combata com seu voto consciente, faça justiça com o seu próprio voto.
 
*Auditor fiscal e professor
Deixe seu Comentário

Nome:

Email:

Seu email não será publicado
Mensagem:
Leia Também

© Copyright 2016 Portal Flagrante. Todos os direitos reservados.